O Metaverso Flopou?

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No ano de 2022 a pauta principal dos podcasts e conteúdos de marketing foi o tal metaverso. O grande impulsionador dessas discussões foi Mark Zuckerberg, que em outubro de 2021 alterou o nome de seu conglomerado de empresas para Meta, fazendo referência e determinando onde estariam os investimentos para os próximos anos. Entretanto, passado 2022, o assunto esfriou e deixou espaço para uma análise mais profunda das razões desse balde de água fria nos planos da Meta.

Recapitulando, o metaverso não é uma tecnologia, mas sim um conceito. Não há, então, um lugar para entrar no metaverso ou algo do tipo. De forma geral, o metaverso é a junção das experiências on e off. Se você usa alguma tecnologia para expandir sua experiência do mundo físico, você já está no metaverso. O termo “metaverso”, apesar de ter entrado em evidência nos últimos anos, não é nada novo. Foi criado em 1992 no livro Snow Crash de Neal Stephenson. Na trama se passa a história de Hiro Protagonist, que no mundo real é entregador de pizzas na CosaNostra, pizzaria controlada pela organização mafiosa do Tio Enzo. Mas, no metaverso, ele é um príncipe samurai.

Passados mais de 30 anos, muito do que era ficção hoje é realidade, e não podemos deixar de mencionar o avanço tecnológico que tivemos nos últimos anos. Reflexo, inclusive, da pandemia do COVID19, que catapultou o acesso digital. Muitas pessoas se viram obrigadas a adentrar o on-line, seja profissionalmente ou para entretenimento. Mais pessoas usando resulta em mais receita e mais investimentos. Uma das principais problemáticas acerca do metaverso sempre foi a acessibilidade às tecnologias mais avançadas para potencializar a experiência. Você não precisa necessariamente de um óculos de realidade aumentada para estar no metaverso, mas para adentrar alguns espaços você precisará, ou, se tiver o equipamento, conseguirá ter uma experiência superior, o que deixa tudo mais atrativo. A seara da democratização dos óculos VR já está incluída nos planos de Mark Zuckerberg. Em 2014 a Oculus Rift foi comprada pelo Facebook por 2 bilhões de dólares. Isso demonstra que Mark já está de olho no metaverso há pelo menos 9 anos.

Outra grande problemática que pode ter frustrado os planos de curto prazo para o metaverso é a conexão, que será facilitada com a globalização do 5G, mas que também demanda de hardwares cada vez mais poderosos para possibilitar experiências mais imersivas. Entretanto, ainda que essas fraquezas sejam consideráveis, elas são previsíveis. Mas então o que seria de fato o problema que tirou o metaverso do ponto central de investimentos e discussões no mundo da tecnologia? A resposta está no hype. Mas calma que vamos embasar isso um pouco mais.

O que vemos hoje com o chat GPT e inteligência artificial pode estar ocupando o espaço do hype que antes tinha o metaverso como ponto central. Tudo isso pode ser explicado pelo conceito do Hype Cycle da Gartner, empresa de consultoria e tecnologia americana.

O Hype Cycle da Gartner é uma ferramenta de análise que mostra a trajetória de uma tecnologia desde sua introdução até seu possível uso em massa. A teoria defende que todas as tecnologias seguem um ciclo em forma de curva, que começa com uma expectativa elevada, chamada de pico de expectativas infladas, seguida por um período de desilusão, o vale da desilusão, antes de começar a atingir seu potencial em um patamar mais realista.

Hype Cycle para Tecnologias Emergentes, Garter, 2022.

O metaverso, em agosto de 2022, se encontrava no estágio do gatilho da tecnologia, escalando o pico das expectativas elevadas. As NFTs, a título de curiosidade, já se encontravam em declínio no período de desilusão. Entende-se que o metaverso já passou pelo pico de expectativas infladas e agora, ao que tudo indica, está adentrando o vale da desilusão. Ainda não temos uma versão atualizada de 2023 para a curva na categoria de tecnologias emergentes, o que deve ser atualizado em agosto novamente.

O hype envolve muito as expectativas que são geradas, que envolve também a forma que a mídia e as grandes empresas vendem essas novas tecnologias. Além disso, podemos citar outros fatores que contribuem para o declínio, como a falta de padronização, falta de adoção em massa, falta de interoperabilidade entre as plataformas, dentre outras.

É válido ressaltar também que, segundo a teoria do Hype Cycle, o declínio é natural. Isso decorre não das limitações da tecnologia, mas do que foi projetado à ela, e que não é real nem sua proposta de concretização. Podemos relacionar a teoria com infinitos temas e casos. O ciclo se repete pois sempre haverão motivos, quase sempre financeiros, para inflar potenciais. No final das contas, a dica central é: não invista tempo e dinheiro no que não é sólido, desde que você não saiba totalmente o que está fazendo.

Finalizando, não podemos afirmar o futuro do metaverso, e é válido mencionar que o Hype Cycle não se propõe a ser um vidente, mas demonstrar uma tendência natural relacionada com as expectativas infladas. Na teoria, após o vale da desilusão, a tecnologia que consegue seguir tem uma nova subida, não tão significativa quanto o pico de expectativas infladas, mas consegue alguns avanços e depois se concretiza no platô da produtividade. Isso pode demorar anos ou décadas. O próprio caso do metaverso demonstrou que é impossível prever com precisão a velocidade que os estágios duram, tendo percebido o quão rápido foi o hype e declínio do metaverso.

De toda forma, enquanto a Meta reformula planos de investimento já demonstrando interesse em focar na inteligência artificial, o mundo se distrai enquanto busca a mais nova tecnologia que irá virar o mundo de cabeça para baixo mais uma vez, até a próxima aparecer.


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